segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pequeno manual de assessoria de imprensa para uso na internet

Antes de mais nada, não sou jornalista, não tenho uma empresa de assessoria de imprensa e nem quero aparentar o “gostosão” que sabe-tudo-de-web, mas não podia deixar de publicar este texto sobre pequenas ações que uma empresa de assessoria de imprensa poderia adotar para ter mais resultados para seus clientes.

E mais, não vai aqui uma crítica à empresa responsável pela comunicação citada abaixo, mas pelo contrário, gostaria muito de ajudar não somente ela, como todas as empresas ligadas a este segmento de comunicação corporativa, com o simples raciocício de que quanto mais empresas bem posicionadas na web, mais qualificado fica o mercado.

Primeiro, a experiência que resultou neste texto.

Tenho o costume de navegar em sites de releases, para ler sobre algumas novidades. E em um deles, achei uma nota com o título inusitado: “Peso para papel da Pinkish – Opção cheia de charme e elegância”.

Pensei: “porque uma empresa soltaria um release sobre um peso de papel? Deve ser efetivamente uma peça de grande beleza…”. O texto nem era muito convidativo – pelo menos para mim – e para ilustrar, faço um copy/paste abaixo:

“A Pinkish é uma empresa vanguardista que surpreende pela beleza de suas peças, confeccionadas artesanalmente com contas de vidro em estilo Murano.

Pensando em tornar o ambiente do escritório mais charmoso e elegante, com um toque especial, a Pinkish desenvolveu o Peso para Papel “WAVE”. Esta linda peça é uma verdadeira expressão de estilo e criatividade. Ao mesmo tempo útil e decorativa, é uma idéia que vai agradar em cheio na hora de presentear. Simplesmente fofo, vai fazer o maior sucesso!

Mais informações através do site www.pinkish.com.br”

Tudo bem que o tal site de releases não permite publicar um hiperlink para a página e o endereço não estava clicável. Mas tudo bem, curioso para ver o tal peso de papel “fofo”, copiei a url e colei no browser. Cheguei até a home da Pinkish…clica para lá, clica para cá, vai, volta….cadê o peso de papel????

Copiei o título do release, busquei exatamente ele no Google com o objetivo de encontrar alguns sites que publicaram o texto, para ver se achava uma imagem do tal produto. Fui até no link “imagens” do próprio Google, na esperança de achar…Bem, encontrei um site sobre imóveis que publicou a imagem em baixíssima qualidade. De posse da imagem em minha memória física, fui atrás da mesma no site da Pinkish e publico logo abaixo:

Agora o pequeno manual!

1.Crie um blog da sua empresa de assessoria de imprensa, mesmo usando uma conta gratuita do Wordpress ou Blogger, isso vai facilitar a publicação de imagens e textos com links.

2.Combine com seu cliente de atualizar a home do site, colocando em destaque o produto ou serviço que está sendo divulgado.

3.Ou melhor, se houver possibilidade, publique o link direto para o produto ou serviço divulgado.

4.Melhor ainda, a plataforma Wordpress tem múltiplas aplicações e com um investimento relativamente baixo – comparado com os resultados – seu cliente pode contratar uma dupla de designer e programador para construir um site adequado ao novo mundo da web.

5.E por fim, MÉTRICAS. Nunca faça nada na web sem a mínima possibilidade de medir algum resultado.

Bem, como disse no início, a real intenção é mostrar ao mercado – principalmente de assessoria de imprensa e/ou comunicação corporativa, que pequenas ações podem (e vão) promover um ganho de resultado enorme, tanto para a empresa quanto para seus clientes. Pode acreditar!

Texto de assessoria de imprensa tem dono?

Recentemente, o portal Comunique-se, em uma de suas matérias, abordou a possibilidade de que um texto, enviado aos veículos de comunicação como release, poderia ter a proteção de direitos autoriais. Release, pronuncia-se "relíze", é um informe ou texto de qualquer espécie enviado por assessorias de imprensa aos veículos de comunicação, esperando que seja publicado ou sirva como pauta.]

Ou seja, outro jornalista não poderia assiná-lo, tendo-se de publicá-lo com a autoria original. O descumprimento desse regra deixaria o infrator sujeito a processo por danos morais. Ressalve-se que nem todo release chega assinado às redações.

A matéria do Comunique-se cita o caso da assessora Claudia Yoscimoto, que trabalhava para a Prefeitura de de Mogi das Cruzes (SP) – e acompanhou o prefeito a uma viagem ao Japão. Como parte de seu trabalho de assessoria ela produziu um texto sobre o assunto e enviou-o aos veículos de comunicação.

Um site reproduziu o texto na íntegra, retirando a assinatura dela e apondo de outro jornalista. O caso aconteceu em 2007, mas ela somente percebeu este ano, quando organizava um portfólio de suas atividades.

Nas redações

Todo mundo que já trabalhou em uma redação de jornal, rádio ou TV sabe que se dá os mais diferentes destinos para os releases. Alguns são usados como sugestão de pauta [o jornalista se interessa pelo assunto e vai, ele mesmo, levantar as informações]; outros são “refundidos” [reescritos para aparar-se os exageros, acrescentar alguma informação, ouvir o "outro lado", etc.]; há os usados para pequenas notas e, também, o que são reproduzidos na íntegra. Sem falar nos que são – a maioria – simplesmente jogados na lata de lixo ou na lixeira virtual.

A mais, eu desconheço caso – pelo menos nos jornais que leio – em que um release tenha sido publicado com a assinatura do assessor de imprensa que o produziu.

Ghost writer

A meu ver o trabalho de assessor de imprensa assemelha-se a de um “ghost writer” [escritor fantasma, em português], um sujeito que é pago para escrever algo que ele sabe que outro vai se apropriar. É o caso, por exemplo, daqueles que escrevem discursos [para políticos, empresários, etc.] ou de alguém que ouve o depoimento de uma pessoa, escreve-lhe uma biografia, que o dono [da vida] assina como se fosse uma autobiografia. [Se alguém quiser ler algo muito interessante sobre os "ghost writer" indico "Budapeste", de Chico Buarque.]

O que eu quero dizer é o seguinte: o assessor de imprensa não pode se queixar quando seu texto é assinado por outra pessoas. Mas, ressalve-se: o jornalista sério, a não ser que façam um trabalho de apuração – usando do release apenas as informações para complementar seu texto -, recusa-se a assinar releases reproduzidos como matéria. [Ainda mais um trabalho bem particular, como parece ser aquele que a assessora Claudia Yoscimoto produziu.]

Mas, os que assinam um texto de assessoria, depõem contra a sua própria credibilidade e cometem infração ética, mas não um crime.

Assessorias

Está na essência das assessorias de imprensa produzir para que outros [os meios de comunicação] utilizem o seu trabalho. Romper com essa lógica significa questionar o próprio papel das assessorias.

A recompensa do assessor de imprensa é ver sua sugestão de pauta aceita ou seu texto publicado. Pois esse é um dos objetivos da sua profissão e o interesse de quem paga o salário do assessor ou contrata uma empresa de assessoria.

Eu imagino que, caso venha a se difundir essa idéia de que um texto de assessoria esteja protegido por direito autoral, as empresas que prestam esse tipo de trabalho terão dificuldade cada vez maiores em ver seu material aproveitado nas redações.

Mesmo os release não-assinados, alguém o escreveu. E, em última análise, seria “propriedade intelectual” da empresa que o produziu.

Exceção

A exceção ao que disse acima são artigos assinados por “mestres”, “doutores”, “economistas”, “especialistas” em qualquer coisa, cujos artigos são enviados pelas assessorias à mancheias. Hoje, o mais modesto professor ou “ista” em alguma coisa tem uma “assessoria” que entope a caixa-postal de qualquer jornalista com artigos “brilhantes” de seus assessorados, que entendem de penico a bomba atômica. Esses, obviamente, não se vai tirar-lhes a assinatura e apor-se outra, pois não é a assessoria que assina o texto.

Plinio Bortolotti

Como Blogs profissionais e corporativos ajudam na Assessoria de Imprensa

Tradicionalmente o trabalho da Assessoria de Imprensa, seja ela de uma empresa, seja de um profissional liberal de alto desempenho, na formatação e divulgação das informações de seu cliente, está ligado as Mídias e relacionamentos convencionais.

O trabalho envolve Jornais, Revistas, Rádio, TV e outros meios de comunicação, sendo que a Internet aparece somente quando está a serviço de um destes meios.

Entretanto uma nova abordagem permite complementar o trabaho de assessoria de imprensa aumentando a visibilidade do cliente : Trata-se do Blog Profissional ou Blog Corporativo, sendo que o primeiro é um Blog do ou voltado ao profissional e o segundo um Blog da Empresa ou de assuntos ligados a empresa cliente.

Os Blogs, longe do que eram em seu início, hoje são um legítimo meio jornalistico que permite tratar de temas na Internet de forma ágil e independente, sendo que nele a Mídia e a Imprensa vem em busca de informação, e sem a necessidade de envio de pautas e press releases.

Os Blogs, feitos para profissionais ou empresas apresentam inúmeras vantagens para a Assessoria de Imprensa , sendo que listo algumas delas :

■Organização do material e das informações da assessoria em um ferramenta segura e ágil.
■Divulgação contínua das informações para a Internet através das ferramentas de busca.
■Divulgação das informações a fontes mais amplas que os limites da Assessoria.
■Exposição maior das informações ao público em geral criando interesse independente e além da mídia.
■Possibilidade de monitoramento dos interesses e do comportamento do público alvo.
■Possibilidade de abertura de novos canais na mídia convencional.
■Criação da imagem de provedor de informações e especialista.
Assim o Blog cria um ciclo virtuoso da informação facilitando e complementando o trabalho da Assessoria de Imprensa.

Por esse motivo tem surgido cada vez mais Editores ( como o nosso caso ) que cuidam exclusivamente do conceito, planejamento, implementação, editoração e postagem, e divulgação ( SEO e Web Marketing ) de Blogs profissionais e corporativos, permitindo assim que o trabalho do dia a dia possa ser terceirizado e o Blog possa estar atual e ativo sem demandar grande tempo do cliente ou da assessoria.

Claudio Torres www.infobot.com.br

O surgimento da assessoria de imprensa no mundo

Em 1772, quatro anos antes da proclamação da independência dos Estados Unidos, um grupo de revolucionários comandado por George Washington, preocupado com a divulgação de informações oficiais, contratou o escritor e editor Samuel Adams para desenvolver um trabalho que mesclasse elementos da comunicação. Anos depois, em 1829, Amos Kendall dava início à assessoria de imprensa governamental. Durante o governo de Andrew Jackson, organizou um setor bem estruturado de imprensa e relações públicas: o The Globe, considerado por muitos como o primeiro house-organ.
As primeiras publicações empresariais surgiram na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos no século XIX. Os efeitos sobre a opinião pública consolidaram-se e, a partir daí, começaram a aparecer jornalistas que se encarregavam de divulgar o que acontecia dentro das organizações. Outras áreas também adotariam a ideia, levando ao público fatos do mundo empresarial.

Yve Lee: Pioneiro na Criação da Assessoria de Imprensa e Comunicação
Em 1906, o jornalista norte-americano Yve Lee fundou em Nova York o primeiro escritório de assessoria de imprensa ou relações públicas do mundo. Com um bem-sucedido projeto profissional e a serviço de um cliente poderoso, Lee conseguiu recuperar a imagem do odiado empresário americano John Rockfeller e conquistou, por direito e mérito na História moderna da Comunicação Social, o título de fundador da Relações Públicas, berço da assessoria de imprensa.

Foi a partir desse momento que diversas empresas, e também órgãos públicos, começaram a adotar serviços de assessoria de imprensa no mundo todo. Nas décadas de 1940/1950, já existiam registros dessa atividade em vários países, entre eles França, Canadá, Itália, Holanda, Bélgica, Alemanha, Suécia, Noruega.

Assessoria de Imprensa no Brasil

Em artigo publicado no site Observatório da Imprensa em 28 de maio de 2008, Osmar Monteiro Mendes afirma que a Assessoria de Imprensa no Brasil surgiu em 1909, quando o presidente Nilo Peçanha criou a Secção de Publicações e Biblioteca do Ministério da Agricultura, tendo como uma das principais finalidades distribuir informações à imprensa sobre o setor, a partir de notícias e notas. Essa foi a primeira iniciativa com características assemelhadas à “assessoria de imprensa” no Brasil.

Durante o governo de Getúlio Vargas, foi criado em 1937 o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) por meio do decreto n° 3.371, em pleno estado novo, com finalidade de estabelecer serviço de atendimento à imprensa ligado ao Gabinete Civil. A ideia principal era divulgar os atos do Presidente e obras realizadas naquele período. O governo Vargas foi também o responsável pela criação do curso superior de Jornalismo, em plena ditadura.

Após a II Guerra Mundial e a eleição de Juscelino Kubitschek, com investimento das grandes multinacionais, surgiram as práticas de assessoria de imprensa, que foram sendo adotadas aos poucos por empresas nacionais e pela administração pública. A partir de 1970, entidades, empresas e empresários descobriram que o assessor de imprensa era figura importante e necessária. Desde então, a atividade vem se profissionalizando e ganhando outra dimensão de trabalho.

Na década de 70, de acordo com o professor Manoel Carlos Chaparro, dá-se rápida expansão das assessorias de imprensa como mercado de trabalho jornalístico, mas infelizmente ainda sobre o impacto do controle da informação para a opinião pública, num sistema implantado pelo governo.

Em 1971, os jornalistas Reginaldo Finotti e Alaor José Gomes fundaram a agência Unipress, buscando nova proposta de assessoria de imprensa. Queriam expandir seu trabalho, fazendo com que as informações chegassem de maneira mais rápida e fácil às redações. A Unipress se tornou modelo jornalístico de assessoria de imprensa.

Segundo Jorge Duarte, em 1975 a Unipress chegou a ter cerca de 10 clientes e 45 jornalistas, cujo objetivo principal era a produção de publicações institucionais. Mesmo nessa época, os jornalistas que prestavam esse tipo de serviço não eram bem vistos, porém, mostravam um trabalho útil, conquistando espaço.

O ano de 1979 significou um momento de mudança para o segmento, é o que afirma o jornalista Kardec Pinto Vallada: “Nessa época, houve grande número de demissões nos principais meios de comunicação devido a greves dos jornalistas; redações foram obrigadas a dispor de profissionais incapacitados para desenvolver um bom trabalho.

Foi nessa época que surgiram jornais, revistas e anúncios sobre as instituições e órgãos de forma mais profissional. Os jornalistas por sua vez ganharam benefícios, como horário fixo de trabalho, salário bem maior que os oferecidos pelas redações e inúmeras outras vantagens”.

Nos anos 80, as assessorias ganharam espaço maior nas empresas e, assim, passou a haver maior necessidade por esse tipo de trabalho. Os jornalistas começaram a se reunir para trocar experiências e opiniões, a legislação se estabeleceu e foi lançado o Manual de Assessoria de Imprensa, trabalho conjunto com comissões formadas por vários sindicatos do país.

Segundo Chaparro, nessa mesma época o Brasil começou a implantar a ruptura entre a assessoria de imprensa e a relações públicas, consolidando-se como experiência única de assessoria de imprensa jornalística no mundo, já que a maioria dos países não considerava a assessoria de imprensa como prática jornalística.

No livro Comunicação: discursos, práticas e tendências (2001), Duarte cita Portugal como exemplo decorrente desse fato: ”O jornalista que passa a trabalhar em uma organização não jornalística é obrigado a afastar-se do sindicato e, portanto, perde o direito a exercer a profissão”.

Atualmente, 50% dos profissionais formados em Jornalismo atuam em algum tipo de assessoria de imprensa, seja organizacional, institucional ou empresarial, mas essa situação pode sofrer variações dependendo da região. Segundo o Sindicato dos Jornalistas, estima-se que 60% dos jornalistas do estado do Ceará trabalhem em algum tipo de assessoria. Conforme levantamento feito em 2003 pelo Sindicato do Distrito Federal, metade dos 25 mil profissionais brasileiros formados em Jornalismo atua em assessorias.