segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O surgimento da assessoria de imprensa no mundo

Em 1772, quatro anos antes da proclamação da independência dos Estados Unidos, um grupo de revolucionários comandado por George Washington, preocupado com a divulgação de informações oficiais, contratou o escritor e editor Samuel Adams para desenvolver um trabalho que mesclasse elementos da comunicação. Anos depois, em 1829, Amos Kendall dava início à assessoria de imprensa governamental. Durante o governo de Andrew Jackson, organizou um setor bem estruturado de imprensa e relações públicas: o The Globe, considerado por muitos como o primeiro house-organ.
As primeiras publicações empresariais surgiram na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos no século XIX. Os efeitos sobre a opinião pública consolidaram-se e, a partir daí, começaram a aparecer jornalistas que se encarregavam de divulgar o que acontecia dentro das organizações. Outras áreas também adotariam a ideia, levando ao público fatos do mundo empresarial.

Yve Lee: Pioneiro na Criação da Assessoria de Imprensa e Comunicação
Em 1906, o jornalista norte-americano Yve Lee fundou em Nova York o primeiro escritório de assessoria de imprensa ou relações públicas do mundo. Com um bem-sucedido projeto profissional e a serviço de um cliente poderoso, Lee conseguiu recuperar a imagem do odiado empresário americano John Rockfeller e conquistou, por direito e mérito na História moderna da Comunicação Social, o título de fundador da Relações Públicas, berço da assessoria de imprensa.

Foi a partir desse momento que diversas empresas, e também órgãos públicos, começaram a adotar serviços de assessoria de imprensa no mundo todo. Nas décadas de 1940/1950, já existiam registros dessa atividade em vários países, entre eles França, Canadá, Itália, Holanda, Bélgica, Alemanha, Suécia, Noruega.

Assessoria de Imprensa no Brasil

Em artigo publicado no site Observatório da Imprensa em 28 de maio de 2008, Osmar Monteiro Mendes afirma que a Assessoria de Imprensa no Brasil surgiu em 1909, quando o presidente Nilo Peçanha criou a Secção de Publicações e Biblioteca do Ministério da Agricultura, tendo como uma das principais finalidades distribuir informações à imprensa sobre o setor, a partir de notícias e notas. Essa foi a primeira iniciativa com características assemelhadas à “assessoria de imprensa” no Brasil.

Durante o governo de Getúlio Vargas, foi criado em 1937 o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) por meio do decreto n° 3.371, em pleno estado novo, com finalidade de estabelecer serviço de atendimento à imprensa ligado ao Gabinete Civil. A ideia principal era divulgar os atos do Presidente e obras realizadas naquele período. O governo Vargas foi também o responsável pela criação do curso superior de Jornalismo, em plena ditadura.

Após a II Guerra Mundial e a eleição de Juscelino Kubitschek, com investimento das grandes multinacionais, surgiram as práticas de assessoria de imprensa, que foram sendo adotadas aos poucos por empresas nacionais e pela administração pública. A partir de 1970, entidades, empresas e empresários descobriram que o assessor de imprensa era figura importante e necessária. Desde então, a atividade vem se profissionalizando e ganhando outra dimensão de trabalho.

Na década de 70, de acordo com o professor Manoel Carlos Chaparro, dá-se rápida expansão das assessorias de imprensa como mercado de trabalho jornalístico, mas infelizmente ainda sobre o impacto do controle da informação para a opinião pública, num sistema implantado pelo governo.

Em 1971, os jornalistas Reginaldo Finotti e Alaor José Gomes fundaram a agência Unipress, buscando nova proposta de assessoria de imprensa. Queriam expandir seu trabalho, fazendo com que as informações chegassem de maneira mais rápida e fácil às redações. A Unipress se tornou modelo jornalístico de assessoria de imprensa.

Segundo Jorge Duarte, em 1975 a Unipress chegou a ter cerca de 10 clientes e 45 jornalistas, cujo objetivo principal era a produção de publicações institucionais. Mesmo nessa época, os jornalistas que prestavam esse tipo de serviço não eram bem vistos, porém, mostravam um trabalho útil, conquistando espaço.

O ano de 1979 significou um momento de mudança para o segmento, é o que afirma o jornalista Kardec Pinto Vallada: “Nessa época, houve grande número de demissões nos principais meios de comunicação devido a greves dos jornalistas; redações foram obrigadas a dispor de profissionais incapacitados para desenvolver um bom trabalho.

Foi nessa época que surgiram jornais, revistas e anúncios sobre as instituições e órgãos de forma mais profissional. Os jornalistas por sua vez ganharam benefícios, como horário fixo de trabalho, salário bem maior que os oferecidos pelas redações e inúmeras outras vantagens”.

Nos anos 80, as assessorias ganharam espaço maior nas empresas e, assim, passou a haver maior necessidade por esse tipo de trabalho. Os jornalistas começaram a se reunir para trocar experiências e opiniões, a legislação se estabeleceu e foi lançado o Manual de Assessoria de Imprensa, trabalho conjunto com comissões formadas por vários sindicatos do país.

Segundo Chaparro, nessa mesma época o Brasil começou a implantar a ruptura entre a assessoria de imprensa e a relações públicas, consolidando-se como experiência única de assessoria de imprensa jornalística no mundo, já que a maioria dos países não considerava a assessoria de imprensa como prática jornalística.

No livro Comunicação: discursos, práticas e tendências (2001), Duarte cita Portugal como exemplo decorrente desse fato: ”O jornalista que passa a trabalhar em uma organização não jornalística é obrigado a afastar-se do sindicato e, portanto, perde o direito a exercer a profissão”.

Atualmente, 50% dos profissionais formados em Jornalismo atuam em algum tipo de assessoria de imprensa, seja organizacional, institucional ou empresarial, mas essa situação pode sofrer variações dependendo da região. Segundo o Sindicato dos Jornalistas, estima-se que 60% dos jornalistas do estado do Ceará trabalhem em algum tipo de assessoria. Conforme levantamento feito em 2003 pelo Sindicato do Distrito Federal, metade dos 25 mil profissionais brasileiros formados em Jornalismo atua em assessorias.

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